Antítese do vazio.
O silêncio rumina minha alma feito a paciência que consome o tédio. Lá fora, as pessoas se silenciaram e vestiram máscaras para encobrir seus verdadeiros sentimentos e opiniões, expondo então um fragmento do discurso alheio e geral. Aqui dentro eu me permito ser sincero comigo mesmo, mas não sei o quanto é sinceridade e o quanto é revolta, vontade de participar do mundo e se decepcionar, e então pensar o total oposto apenas por vingança. A decepção deteriora meu ânimo feito chuva invadindo a janela esquecida aberta. Onde antes havia conforto, agora a vida chora uma ode para o tédio, resumindo-se ao nada e ao vazio que o representa. Onde agora há tédio, antes havia motivação e sentimentos e vontade de mudar o mundo, mas o mundo me mudou primeiro e agora eu estou à beira da estrada, esperando uma carona pra me levar de volta pro lugar em que outrora eu estivera, pois viver no vazio é o mesmo que não viver ao todo. O vazio preenche todas as coisas e cores e torna o sono numa constant...