Crônica de um vazio imensurável.
Diante do abismo só se pode cair. Você sorri porque não há mais nada a fazer. Finge felicidade e compra as ideias de bem-viver quando tudo o que pode fazer é seguir em frente - e o abismo está logo ali. Dias melhores virão, você sabe disso e até repete para si mesmo, mas quanto tempo demorarão pra vir? Você será forte o suficiente para esperar por isso? Você espera que sim, mas a tormenta é cada vez maior e sua voz mal sai quando você tenta gritar por ajuda, então sufoca em uma dor crescente que te aperta a garganta e cala tudo ali. Diante da solidão só se pode lamentar. Você estende a mão, mas não há nada ali em lugar algum. Nos momentos em que mais precisa, tudo o que tem são seus medos e tempo. Tempo de sobra, e principalmente para remoer tudo aquilo que não se quer lembrar. E quando se está sozinho, todos os seus temores parecem reais e novos medos nascem de possibilidades que você jamais pensou existirem antes. Você não tem nada e teme que nunca terá. Se por ventura tiver um lugar...