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Mostrando postagens de dezembro, 2018

Singular sem pressa.

Às vezes a normalidade cansa e a rotina se torna sufocante, feito uma corda já enrolada no pescoço e que a cada dia aumenta um nó. Viver é, de fato, estrangular-se em problemas - não é por acaso que a imagem popular do homem de sucesso envolve uma gravata no pescoço. Se o negócio é um sufoco, estrangular-se com classe é o que há. Às vezes é preciso fugir da rotina, fazer alguma loucura e se sentir no controle de sua própria vida para conseguir se lembrar que a paz é real, que é possível se sentir bem apesar dos apesares. Quando tudo vai por água abaixo, dar um mergulho e curtir a correnteza, esquecer por um momento dos problemas e lidar com uma coisa de cada vez. E, em todo momento, essa coisa deve ser a paz. Às vezes é preciso ser sincero consigo mesmo e ouvir a balbúrdia que a mente faz. Abrir a boca e gritar, ainda que não articule palavras, apenas para expressar aquilo que fará a cabeça se esvaziar e trará o silêncio para o mundo outra vez. Resoluções podem ser tanto simples q...

Irrisório espetáculo.

Na curva do tempo, sobrevive um pesar e, entre tantos, é logo esse que de tão peculiar me faz arrastar atrás de mim a vida que vivi. Completa em suas partes menores, frações de prazer e fragmentos de desejos; incompleta e insensata, bem do jeito que devia ser. Ao longo dos meus braços, cabem asas de um pássaro que içou voo para longe. Num abraço, o deixo escapar, mas arranco as poucas penas que toco e as trago junto ao peito, sentindo apenas as penas. Nada concreto, mas tão significante quanto a liberdade de alguém que se foi e já não mais é. Em minha fala, faltam palavras, porque estas se ausentam de sentido. Nada é tão profundo ou significante a ponto de remeter ao que elas de fato desejam transmitir. É algo que, de tão peculiar, se transmite melhor no silêncio que surge no espaço entre as palavras. Sob meus pés se estende um mundo, mas tão extenso é que me parece intangível. A liberdade me encara e dela não posso ter, pois preenche um tanto bem maior que eu - e é uma questão ...

Não ser ou não-ser? Eis a questão.

Como explicar quando, à beira do penhasco, ao invés de recuar, se passa a flertar com o abismo? Não há diferença entre o topo e a queda, senão a perspectiva que se tem do mundo - mas melhor seria cair antes que o abismo se torne ainda maior. Como explicar que se cansou de sonhar? Sonhos são feitos para o onírico pelo simples fato de que a realidade os destrói amargamente, mas as fantasias fantasiam  serem reais elas próprias. Só que a vida insiste em nos decepcionar a todo instante, o que rompe os sonhos originais e os torna em ideias ruins. Como explicar que se cansou de explicar? Quando as respostas são escassas e tornam-se insuficientes para todas as perguntas que surgem, e ainda mais para sustentar a vida que se leva, tudo parece um pouco mais complicado do que se imaginava ao sugerir uma explicação. E às vezes faltam palavras, faltam respostas e falta vontade de continuar procurando qualquer coisa. Qualquer coisa. Como explicar que a vida segue apesar disso? Viver não...