Dus temps seules.
Sinto-me só. Sigo em busca de refúgio contra mim mesmo na multidão, mas, de alguma forma, isso não me traz conforto algum. Justamente pelo contrário, parece intensificar o deslocamento e mal-estar que sinto. De certa forma, parece que ao invés de me fazer inserido, me faço exaurido ali; exausto até os ossos, esgota-se o que há de mim. Busco refúgio, então, na solidão. Não que eu me sinta cheio - muito pelo contrário: é o vazio que me abomina. Agora sinto-me não apenas só, mas também vazio. Não pertencer a nenhum lugar é exaustivo, mas não pertencer a si mesmo é desesperador. E, conforme o tempo passa, você continua a se distanciar de si mesmo (daquele velho eu que costumava te ser tão familiar e agora passa a ser apenas nostálgico) para se tornar alguém que espera não se sentir vazio, que espera ter um lugar, que espera chegar nalgum lugar e sentir-se, enfim, cheio. Afinal, é preciso, pelo menos, tentar. E quando se é o réu, vítima e juiz é difícil se defender das acusações. Quand...