A traição das ideias.
Isto não é um texto.
Qual o momento certo de admitir que a memória te traiu e deixou um vácuo de sentido entre a realidade e a possibilidade? Não que a semântica das coisas tenha deixado de existir, ela só deixou de se aplicar naquele momento. As metáforas se tornam literais e o mundo se torna limítrofe.
Qual o momento certo de admitir que a fantasia te traiu e todos os sonhos que você nutria eram, em realidade, pesadelos bem disfarçados de felicidade? Não que seus sonhos não fossem bons - eles só não eram bons pra você. Todas as outras pessoas parecem felizes e, enquanto você se pergunta se elas realmente o estão, você se dá conta de que você não está.
Qual o momento certo de admitir que a rotina te traiu e se tornou enfadonha, te fazendo se sentir um estranho em meio a tudo que lhe era familiar? Não que você tenha mudado, você apenas se deu conta de quão dissonante tudo é, como se o seu eu de hoje pudesse ver melhor o que o eu de ontem relutava em ver. A paralaxe em ação.
Qual o momento certo de admitir que o mundo se traiu e toda a salvação possível se perdeu porque cada um de nós está ocupado demais tentando salvar a si mesmo, mas sem perceber que, para isso, é preciso salvar a todos os outros para isso? Não que não haja vontade, só não há disposição o suficiente. É como se tudo tivesse afundado em contradição e todos estivessem se afogando.
Qual o momento certo de admitir que as palavras se traíram e já não dizem o que você intenciona dizer? Um punhado de sons ininteligíveis se derramando pra fora da sua boca ao passo em que sua mente tenta organizar tudo isso em algo que faça sentido, mas só faz sentido pra você. Você não alcança o outro e a recíproca também é verdadeira aqui.
Qual o momento certo de admitir que o texto te trai ao te fazer pensar que ele vai ter fim? Não qu
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