Dus temps seules.
Sinto-me só.
Sigo em busca de refúgio contra mim mesmo na multidão, mas, de alguma forma, isso não me traz conforto algum. Justamente pelo contrário, parece intensificar o deslocamento e mal-estar que sinto.
De certa forma, parece que ao invés de me fazer inserido, me faço exaurido ali; exausto até os ossos, esgota-se o que há de mim. Busco refúgio, então, na solidão. Não que eu me sinta cheio - muito pelo contrário: é o vazio que me abomina.
Agora sinto-me não apenas só, mas também vazio.
Não pertencer a nenhum lugar é exaustivo, mas não pertencer a si mesmo é desesperador.
E, conforme o tempo passa, você continua a se distanciar de si mesmo (daquele velho eu que costumava te ser tão familiar e agora passa a ser apenas nostálgico) para se tornar alguém que espera não se sentir vazio, que espera ter um lugar, que espera chegar nalgum lugar e sentir-se, enfim, cheio.
Afinal, é preciso, pelo menos, tentar.
E quando se é o réu, vítima e juiz é difícil se defender das acusações. Quando, não importa o que se diga em prol de si mesmo, é bem sabido que tudo aquilo que se causou, sentiu ou fez em benefício de si próprio tornou-se a sina que terá de pagar, consequência a consequência. Não importa as mentiras que você se conta, não se pode fugir de si mesmo.
Não se pode ser feliz fugindo, mentindo e sendo vazio.
Não se pode tragar a vida como um veneno, morrendo aos poucos apenas por vivê-la.
Não se pode, ao todo, viver.
A felicidade é superestimada, tal qual a vida. Vida aos felizes! - e quem é o sádico que espera haver uma vida longa e triste para alguém que a traga em seu oposto?
Avida.
Dexisto.
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