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Mostrando postagens de março, 2021

Esquizovida

Beira ao precipício seguir em frente, caminhar despreocupadamente e acreditar num pouco de paz. Além disso, é impossível voltar atrás uma vez que se veja o abismo, assim como retomar aquele pouco de paz com o qual se faz ilusão. Abismados, então, nos desesperamos. Assim, o fim do espírito é o início do desespero, a apoteose do desapontamento a o ápice da frustração. Beira ao delírio seguir em frente e acreditar nalgo melhor. Diante da incapacidade, insatisfação, infortúnio e imprecisão cósmica, seria loucura crer que algo diferente disto ocorreria, ter fé e marchar em ré em direção à razão. Assim, ao passo em que se continua a desejar com a impressão da satisfação, mais do mesmo se deseja, iludindo-se com a impressão do progresso. Beira ao suicídio seguir em frente e viver intensamente. Aquele que mais ama a vida segue em direção ao seu fim, desapontado com a incapacidade de contemplar uma vida em dignidade e satisfação. Aquele que mais a odeia, vive como forma de flertar com a morte, ...

Contradição numa casca-de-noz

Em certa altura, todos nós nos sentimos um pouco estranhos, perdidos, nos perguntando o que foi que aconteceu ou onde foi que erramos. O que houve naquele momento que fez com que tudo ocorresse diferente do esperado? Será que realmente tínhamos o controle o tempo todo ou será que essa era só mais uma ilusão nossa para inferir coerência num mundo que, na verdade, não a possui, mas nos possui a seu bel prazer e coerente à nossa incoerência? Em certa altura, todos nós somos desconhecidos a nós mesmos. Por mais que insistamos que as circunstâncias nos levam a fazer uma coisa ou outra - e que, por vezes, essas coisas venham em contradição à nossa moral -, em algum momento temos que admitir que somos frutos dessas mesmas circunstâncias e que quem somos não passa de um amontoado de opções bem ou mal feitas. A ética pessoal existe à altura em que não contradigo aquilo que o mundo me proporcionou até então. Mas sou pura contradição. Em certa altura, todos nós nos sentimos inquilinos de nós mesm...