Singular sem pressa.

Às vezes a normalidade cansa e a rotina se torna sufocante, feito uma corda já enrolada no pescoço e que a cada dia aumenta um nó. Viver é, de fato, estrangular-se em problemas - não é por acaso que a imagem popular do homem de sucesso envolve uma gravata no pescoço. Se o negócio é um sufoco, estrangular-se com classe é o que há.
Às vezes é preciso fugir da rotina, fazer alguma loucura e se sentir no controle de sua própria vida para conseguir se lembrar que a paz é real, que é possível se sentir bem apesar dos apesares. Quando tudo vai por água abaixo, dar um mergulho e curtir a correnteza, esquecer por um momento dos problemas e lidar com uma coisa de cada vez. E, em todo momento, essa coisa deve ser a paz.
Às vezes é preciso ser sincero consigo mesmo e ouvir a balbúrdia que a mente faz. Abrir a boca e gritar, ainda que não articule palavras, apenas para expressar aquilo que fará a cabeça se esvaziar e trará o silêncio para o mundo outra vez. Resoluções podem ser tanto simples quanto complicadas, só precisam ser engajadas. Ser responsável pela própria felicidade é o que faz alguém realmente feliz.
Às vezes não há trégua, então é preciso desacelerar um pouco e deixar o mundo seguir em frente, continuar a observa-lo de seu ponto de descanso e ver que nada muda tanto quanto parece. Observar que, ainda que o tempo corra, não haveria nada que você poderia fazer para chegar muito longe em tão pouco tempo, então está tudo bem em seguir seu próprio ritmo. Deixe que o resto do mundo siga o dele, não é problema seu.
Às vezes é bom ser singular, viver só e em plena concordância. Ouvir uma canção em headphones e sentir o mundo se estreitar ao seu redor, as paredes se dobrarem num abraço e todos os problemas se resolverem. A mensagem diretamente pra você, um monólogo de palavras seletas e sentimentos plenos, a vida que se divide em notas e o tempo que só se faz real no agora.
Às vezes é preciso viver plenamente, no ritmo da canção, sabendo que daqui a dois minutos, quando o último acorde for tocado e a nota morrer, nada mais será real - ou ao menos tão real quanto agora. Nada mais vai existir: nem o mundo e nem eu. Melhor desistir de resistir ao fim que se aproximará ao fim da canção. Dar replay para reviver, abandonando o depois para reviver o agora. Em paz. Dexisto.

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