Perfeitamente imperfeita.

Ela é inevitável feito o sol e quente como o verão, tão intensa quanto a dor que se representa através da poesia. Versos nada dizem em comparação à sua essência, preferem emudecer - sublime é o silêncio que se faz quando ela está presente.
Se eu tivesse um pedido a ser realizado, pediria para ser feliz; mas, como não tenho, posso desejar coisas impossíveis, portanto desejo ela. Desejo a dor que se faz presente quando ela está e eu não; desejo ser o verbo a conjugar o pronome quando ela é sujeito de uma oração; desejo uma oração especialmente feita para ela; desejo todas as coisas loucas e abstratas que só existem em consequência dela. Ela própria é um impossível que se faz real.
Tenho tanto tempo que o perco tentando encaixa-la em minha agenda. Todos os dias são dedicados a ela, do princípio ao fim. O próprio tempo só existe para que eu possa contar os segundos que correm enquanto ela não está aqui - como duvidar de milagres quando possuo um bem aqui?
E, apesar de tudo isso, ela é completamente imperfeita, porque em todas as coisas em que poderia ser perfeita, me falta ao lado dela pra garantir isso - e esse um critério que conta muito pra mim. Sempre perspicaz em suas decisões, opta por minha ausência em sua vida e demonstra mais uma vez que não há como questionar suas escolhas - são acertos acurados. Por isso, até em sua imperfeição, se faz perfeitamente imperfeita, e isso é algo digno de nota. Sequer ouso questionar, logo desisto. Dexisto.

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