L'Étrange Saison.

 Bom dia, tristeza, seja bem-vinda de volta.

Tempos estranhos requerem saudações inesperadas, como velhas notícias reencontrando seu lugar na modernidade. Pois tudo que é moderno tende a estar em alta, ainda que por um breve instante. Aliás, se não for por um breve instante, não pode ser moderno. Tudo isso tem a ver com a brevidade. Viver às pressas e correr contra o tempo para tentar acompanha-lo um pouco mais. Enquanto isso, nós apenas fluímos com nosso fluxo cronológico, inevitável em sua densidade. Como podemos nos considerar modernos se estamos sendo constantemente ultrapassados? A sociedade moderna é repleta de antiquários tentando esconder-se por trás de novidades por um instante mais.

Mas é apenas um instante afinal.

Somos rascunhos de lembranças que poderiam ser guardadas num museu caso fossem importantes. Somos fadados ao esquecimento e tédio da mesma forma que o vazio está aí para ser preenchido. E, em nosso esquecimento, deixamos um vazio a ser preenchido por outro breve rascunho de coisa alguma. Tentando fazer sentido. Metade de nós é tentativa, a outra metade é erro. Somos prisioneiros desse destino estranho e, ainda assim, cremos sermos livres em nossas amarras existenciais.

São tempos estranhos para os que existem.

Dexisto.

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