Tempos modernos.

Em tempos certos, todas as escolhas são propícias e levam a consequências saudáveis. Em tempos errados, é preciso fazer com que as coisas fiquem certas, escolhendo aquilo que levará a uma nova onda de tempos certos. Na maior parte da vida, vivemos tempos errados achando que são certos, e em alguns tempos certos acreditamos estar em tempos errados, pacatos e impróprios.
Em tempos modernos, todos os tempos são certos e errados simultaneamente. Há sempre uma possibilidade otimista porvir, da mesma forma que tudo se desmancha em caos. Não que o caos seja ruim, só é bagunçado, daí a confusão. Em tempos confusos, todo caminho é incerto e o futuro se faz nublado, e é preciso acender a luz do farol da razão para se poder navegar direito pelas ondas certas de um mar revolto.
Em tempos outros, há tempos buscávamos tempo pra fazer o que há muito tempo queríamos fazer, mas não encontrávamos tempo em meio ao pouco tempo que tínhamos, e deixávamos tudo para a hora certa. A hora é uma porção do tempo mensurável que nos fornece indícios de quão breve nos é a possibilidade de agir e fazer escolhas. No correr dos ponteiros, deixamos a vida pra trás e perdemos o tempo que precisávamos para viver em tempos outros.
Em tempos diferentes, daria tempo de fazer tudo, mas nunca sobra tempo de fato. É uma corrida incessante contra o tempo que nunca sobra tempo para realmente aprecia-lo. Se buscamos tempo ao nos apressarmos, por que corremos contra ele então? A pressa é inimiga da perfeição e fracassa com o cumprimento da expectativa ou é uma forma de cumprir perfeitamente tudo aquilo que esperamos fazer? Na dúvida, não corra e se deixe existir no curto espaço de tempo que puder, mesmo que pequeno e livre de sentido. Sem expectativa alguma, não persista em sua existência, desista. Dexisto.

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