Impossibilidades circunstanciais.
Seria impossível não se esquecer dos sonhos caso não houvesse a decepção. Sentimos muito pelas dificuldades, mas sentimos muita vontade de supera-las pelo mesmo motivo. Sobretudo, quando o cotidiano banaliza o tédio. Ao que a falta de sentido se torna um fator constante, é preciso mudar - e o primeiro passo da mudança é o sonho. Sonhamos desejos pelas faltas impossíveis de serem sanadas, e então mudamos para que a perspectiva também se altere.
Seria impossível não se esquecer da pressa caso não houvesse também o tempo. Escapam de nossos dedos os segundos e correm rios que logo se tornam horas, dias, meses e anos. Quando se percebe, uma vida ficou pra trás. Sobretudo aos domingos, onde a vida parece estagnar um tanto. Às vezes, todos os dias parecem domingos, e é aí que mais sentimos o tempo correr e nos deixar pra trás, e nos sentimos impelidos a recuperar o tempo perdido, mas, poxa, é domingo!
Seria impossível não se esquecer que tentativa e erro são processos constantes, e então se culpar a cada vez que erra. Às vezes parece que tudo precisa ser perfeito, desde o mundo até a existência que construímos em vida - e é nesses momentos que colocamos em perspectiva todos os nossos feitos e damos enfoque especial ao fracasso. Sobretudo, quando é irremediável. De todas as coisas da vida, as irremediáveis são as mais importantes e, em especial, os fracassos. Não porque sejam ruins, mas porque nos mostram onde não errar mais. Não devia haver culpa na moral da história.
Seria impossível não se sentir fraco quando a vida grita e pressiona a alma até o fundo do poço. É fácil ser forte quando se corre no mesmo sentido que o rio, mas nem sempre é assim que funciona - há rios demais, direções demais e apenas uma pessoa pra tentar ser forte em tantos aspectos. Não é fraqueza desistir de algumas conquistas e aceitar fracassos para privilegiar alguns sucessos, assim como não é vergonhoso se sentir pequeno quando se percebe o tamanho do mundo e a distância que é preciso percorrer para se alcançar o máximo potencial que ali se esconde. Para seguir um caminho e existir de fato, é preciso desistir dos outros - e não há problema algum nisso. E é por esse caminho que sigo e, portanto, dexisto.
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