O sol cruel.

O vento sopra por dividir, mas o sol ilumina porque é cruel. Cinde a tempestade a olhos vistos uma sombra que oculta não pode estar e nem deve. Poderia outrora a chuva arrastar em seu pesar nuvens que cindem e ao oculto levam a realidade, mas apenas de tristeza não viveria o tempo - está ali para toda estação e em suas mais variadas formas. Bem ou mal, apenas o é.
A fotografia guarda o que a memória não pode, pois detalhes te levam à revelação - e a verdade é melhor permanecer oculta, caso contrário uma lembrança pode perder sua magnificência. Poderia no desfoque haver um gesto amigo do presente ao futuro eu, que do passado mal recorda e bem não o quer fazer, mas o presente é egoísta é quer retornar na forma do impossível que não mais é.
O belo há para que o feio não seja visto, em sua beleza ajuda àquele que não quer ser visto, sendo paradoxal o fato de que o feio apenas o é pois existe um mais belo ao que se comparar. Há beleza em todas as coisas, mas elas reduzem conforme o real rompe as expectativas outrora imaginadas. Dessa forma, reformula-se a ideia para a mentira que poupa a verdade de ser o que de fato é.
A morte existe para que a vida tenha sentido, dando limites e a fazendo adquirir valor, pois é curta e frágil - e apenas o efêmero adquire valor num mundo líquido. Tudo o que pode ser consumido lenta e constantemente se torna apenas uma coisa, e a vida não deve se coisificar. Contudo, a verdade que a morte traz obriga que todos aqueles que à vida não apreciam a enxerguem feia, negando o real.
O real existe para que se possa sonhar com um mundo melhor, pois se decepcionado está, esperança pode nutrir para que algo melhor encontre. Frustrações podem vir, mas são elas que nos colocam em contato com o real, insistindo para que busquemos aquilo que tanto esperamos, imaginamos e vivemos por. Não é como se fosse belo de fato, portanto mentimos para não ver aquilo que é.
A persistência prolonga a luta, enquanto o medo despedaça sonhos e retorna o contato com o real. É por temer o medo que insistimos em continuar, e é por continuarmos que nos tornamos aversivos ao medo. Toda mentira se esconde por trás da luta, escondendo a derrota que pode colocar qualquer sonho em perspectiva para reavaliação. Talvez seja melhor reavaliar, mas é preciso desistir da luta um pouco. Dexisto.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desincoerente, dexistente e indestinável

Devaneios cotidianos.

Dus temps seules.