A angústia de Dostoiévski.
A virtuosidade é uma doença cujo maior sintoma é a ilusão do bem-estar. Estar bem é se sentir bem ou simplesmente não se sentir mal? É uma questão que aparenta ser ambígua, mas apenas o é caso sua visão de mundo seja monocromática, onde não ser algo significa ser seu extremo oposto - e as coisas não são assim. Entre o preto e o branco existem tons, e não apenas de cinza, como aqueles presentes em cada elemento que compõe o espectro de cores. A vida é diversa assim e reduzir seu estado a apenas duas possibilidades é simplório e cego, de forma que não te permite enxergar as coisas como de fato são.
Equilíbrio significa impedir a manutenção de estados ruins e aproveitar os estados bons para poder retornar à neutralidade, afinal, uma sobrecarga de prazer precisa ser consumida logo, uma vez que este é efêmero. Daí a existência de tantas formas de prazer, igualmente curtas e singulares; enquanto os estados de angústia se prolongam por quanto tempo você permitir que fiquem. Dizem que as pessoas sentem felicidade juntas, enquanto as dores são sentidas à parte e de forma única, mas deixam de dizer que os prazeres, em excesso, se tornam igualmente incômodos - e cada um sofre de um excesso diferente. Deixa de haver a satisfação e passa a haver o enfado, a sobrecarga e um inevitável desgosto. Por isso nenhum prazer se prolonga, porque deve acabar logo para ser buscado novamente.
Dostoiévski dizia que é pelas coisas mais insignificantes que nos perdemos, pois nelas encontramos maior valor, o que parece ir de acordo com a ideia de enfado e a recuperação do prazer nas coisas simples, ou o reencontro do jubilo infantil que a criança de outrora deixou pra trás. Após a perda da felicidade habitual, tudo aquilo que parecia bobo retorna ao seu estado grandioso e o que não tinha mais sentido parece recupera-lo subitamente, como num passe de mágica.
Dostoiévski dizia que é pelas coisas mais insignificantes que nos perdemos, pois nelas encontramos maior valor, o que parece ir de acordo com a ideia de enfado e a recuperação do prazer nas coisas simples, ou o reencontro do jubilo infantil que a criança de outrora deixou pra trás. Após a perda da felicidade habitual, tudo aquilo que parecia bobo retorna ao seu estado grandioso e o que não tinha mais sentido parece recupera-lo subitamente, como num passe de mágica.
A questão é que, tal qual as coisas podem mudar de estado, um meio termo repleto de ausência é o que permite a satisfação em si. E, assim, por vezes é na angústia que se encontra o bem, pois no espelho da tristeza você vê refletido a ausência que te trará de volta ao ponto de equilíbrio. É verdade que depois haverá um retorno às dores, mas, se não fosse assim, o que seria da vida senão inércia? A busca pelo que sempre acaba e a fuga do que sempre retorna é o paradoxo do inevitável, que sustenta a existência. Rejeitar isso é desistir de existir, o que te leva à angústia que promove o existir. Não-ser, portanto, se torna uma compreensão do ser, pois apenas sabendo o que te estrutura é que se pode encontrar o elemento certo do qual desistir para se fazer existir. Dexisto.
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