Desesperança.

Indubitavelmente, não sei metade do que digo que sei, e isso é tudo que sei. Também não vejo metade do que penso ter visto, e isso eu vejo bem. As coisas que eu digo são pensadas apenas pela metade, sendo que a outra metade é esquecida logo após deixar a minha boca. Acho estranho esse exercício de nunca me recordar daquilo que acabo de falar, mas tudo passa a fazer sentido quando penso que, se a mensagem fosse pra mim eu a teria apenas pensado. Já que a disse, é porque devia ser para alguma outra pessoa.
Indubitavelmente, tudo aquilo no qual acredito é apenas aquilo em que decidi acreditar. Não significa que seja verdade (assim como não significa que seja mentira); apenas significa que... Isso mesmo, reticências. Uma continuação. A gente acredita em qualquer coisa para poder continuar com o que quer que seja. Acho estranha essa ideia de precisar de um suporte maior (uma esperança) para prosseguir, como se a própria vida não fosse um motivo bom o bastante para se viver e tentar ser melhor em cada detalhe; mas é isso o que faz as pessoas felizes, então que seja. Até onde me lembro, sou humano e continuo feliz acreditando nas mesmas coisas de outrora. Futuro, sabe?
Indubitavelmente, penso aquilo que me mandam pensar. Até quando acho que me liberto dessa prisão social e ganho asas para voar além e me ver imerso em pensamentos únicos de minha pessoa estou fazendo aquilo que me mandam – pois dizem que devo pensar por conta própria, que é assim que tem que ser. Mas depois de mais de dois mil anos (sem contar os que vieram antes de Cristo), é um pouco difícil ter um pensamento apenas seu, algo que nunca tenha passado pela cabeça de outra pessoa em qualquer trecho da história e tempo. Tudo é uma cópia de uma cópia de uma cópia de uma cópia – inclusive eu. Logo, como encontrar a liberdade quando tudo é tão incerto que nem sei o que saber?
Só sei que nada sei.
Droga!
Lá vou eu outra vez...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desincoerente, dexistente e indestinável

Dus temps seules.

Crônica de um vazio imensurável.